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Dinamarca reforça serviço militar obrigatório

Enquanto vários países europeus reforçam a preparação militar das novas gerações, a Dinamarca acaba de colocar cerca de 1.600 jovens num novo programa de serviço militar com 11 meses de duração. Homens e mulheres passam a estar abrangidos em condições de igualdade. Em Portugal, o serviço militar continua voluntário e a questão permanece longe do centro do debate político e social. A pergunta impõe-se: num mundo cada vez mais instável, faz sentido continuar a evitar esta discussão?

Dinamarca muda de estratégia

A Dinamarca deu, este mês, mais um passo concreto no reforço das suas Forças Armadas.

No dia 3 de agosto de 2026, cerca de 1.600 jovens iniciaram o novo modelo de serviço militar com uma duração de 11 meses, distribuídos por 14 locais de serviço no país. Todos os elementos desta vaga apresentaram-se voluntariamente.

A mudança não surgiu de um dia para o outro. Os primeiros jovens integrados no programa prolongado tinham já iniciado a formação a 2 de fevereiro de 2026.

O antigo modelo de quatro meses está assim a dar lugar a uma preparação muito mais longa: aproximadamente cinco meses de formação básica e seis meses destinados a formação complementar e serviço operacional.

Não se trata apenas de ensinar jovens a marchar, usar uma farda ou conhecer uma unidade militar.

O objetivo declarado pelas autoridades dinamarquesas é aumentar a capacidade de mobilização do país, reforçar a reserva e permitir que os recrutas possam desempenhar funções efetivamente úteis na estrutura operacional das Forças Armadas.

E há outro dado relevante: homens e mulheres passam progressivamente a estar sujeitos às mesmas regras. Os cidadãos que completam 18 anos são chamados ao processo de avaliação militar independentemente do sexo, podendo existir convocação caso o número de voluntários seja insuficiente.

A Dinamarca pretende chegar, ao longo do atual acordo de Defesa, a cerca de 6.500 recrutas por ano nas Forças Armadas.

Uma Europa que voltou a falar de defesa

Esta mudança deve ser entendida no contexto atual.

A Europa percebeu que a paz no continente não pode continuar a ser tratada como uma garantia eterna. A Dinamarca justifica expressamente o reforço da sua capacidade militar com a alteração da situação de segurança europeia e com a necessidade de melhorar a capacidade de mobilização nacional.

Independentemente da posição de cada um sobre o serviço militar obrigatório, há uma diferença importante de atitude: os dinamarqueses decidiram discutir o problema e tomar decisões.

Preparar um país para situações de crise não significa desejar uma guerra.

Significa precisamente reconhecer que a Defesa Nacional não começa quando o conflito chega. Constrói-se antes: com equipamentos, infraestruturas, profissionais, reservas, formação e uma população minimamente consciente do que significa defender o território e as instituições do Estado.

E Portugal?

Em Portugal, o serviço militar é atualmente voluntário. A obrigação geral dos jovens passa essencialmente pela comparência ao Dia da Defesa Nacional, realizada no ano em que completam 18 anos.

Portanto é legítimo perguntar: onde está o grande debate nacional sobre o futuro da Defesa portuguesa?

Várias questões estão por esclarecer:

– Devemos manter exclusivamente um exército profissional?

– Devemos criar um período curto de serviço militar ou cívico?

– Deveria existir uma formação básica obrigatória para situações de emergência, proteção civil, catástrofes ou defesa?

– Deveríamos reforçar significativamente a reserva militar?

E, caso algum modelo obrigatório regressasse, deveria naturalmente aplicar-se em condições iguais a homens e mulheres?

Sei que não são perguntas fáceis, mas temos que encarar esta questão com seriedade e sem perder muito tempo…

Portugal não pode contar sempre que os outros pensem sempre na sua defesa!

Durante décadas, grande parte da Europa beneficiou de um contexto internacional relativamente estável e reduziu a importância atribuída à Defesa… mas a “lua de mel” parece ter terminado…

A Dinamarca está a adaptar-se… outros países europeus estão igualmente a rever estruturas militares, reservas, recrutamento e capacidade de mobilização.

Portugal terá também de decidir o que pretende para as próximas décadas e por isso, Defendemos que a questão merece ser discutida… sem tabus… sem slogans… sem transformar imediatamente quem levanta o assunto num militarista ou num saudosista.

Porque uma nação que quer manter a sua soberania precisa de saber quem a defenderá, com que meios e com que preparação, caso um dia seja necessário.

Sentinela Lusa

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