A promessa era acabar com as desigualdades. Contudo, muitos regimes comunistas acabaram por concentrar o poder, gerar escassez, aprofundar a miséria, reprimir a oposição e limitar a liberdade.
Durante mais de um século, o comunismo apresentou-se como uma alternativa ao capitalismo. Em teoria, defendia uma sociedade sem classes, na qual o Estado controlaria coletivamente os meios de produção e distribuiria a riqueza de forma mais igualitária. A EBSCO explica o comunismo.
Porém, a experiência histórica afastou-se muitas vezes dessas promessas. Em vários países, os resultados revelaram-se muito mais duros do que os seus defensores previam.
Da União Soviética à Europa de Leste, passando pela China de Mao, Cuba e Coreia do Norte, vários regimes que procuraram construir economias comunistas concentraram progressivamente o poder no Estado. Além disso, impuseram sistemas de partido único, limitaram a propriedade privada e restringiram fortemente as liberdades políticas e económicas.
Assim, a promessa de igualdade acabou, em muitos casos, por dar lugar a sociedades marcadas pela centralização do poder, pela escassez e pela ausência de pluralismo.
MAIS AINDA, QUANDO O ESTADO QUER CONTROLAR TUDO
Um dos maiores problemas das economias comunistas de planeamento central surgiu quando o Estado tentou substituir milhões de decisões individuais e empresariais por decisões tomadas a partir do poder central. Baseada nos arquivos soviéticos.
Assim, o Estado passou a decidir quase tudo: quanto produzir, a que preço vender, onde investir, que empresas deveriam existir e quais os produtos considerados prioritários.
Contudo, quando uma burocracia estatal pesada concentra estas decisões, perde-se grande parte da capacidade de responder rapidamente às necessidades reais da população. Além disso, o sistema reduz os incentivos à inovação, à eficiência e à adaptação da produção.
Consequentemente, vários países enfrentaram, em diferentes períodos, desperdício, baixa produtividade e escassez de determinados bens. Ao mesmo tempo, muitas dessas economias tiveram dificuldade em acompanhar o desenvolvimento tecnológico dos países mais avançados.
Por isso, quanto mais o Estado tenta controlar cada decisão económica, maior se torna o risco de criar um sistema lento, rígido e incapaz de responder às necessidades concretas da sociedade.
A IGUALDADE TAMBÉM CRIOU UMA NOVA ELITE
O comunismo prometia destruir os privilégios. Contudo, em muitos regimes, não acabou com as elites: apenas substituiu umas por outras.
Assim, o partido afastou parte da antiga elite económica e criou uma nova classe dominante, protegida pelo próprio Estado. Enquanto o cidadão comum enfrentava escassez, filas e limitações, muitos dirigentes beneficiavam de melhores casas, melhores serviços, acesso privilegiado a bens e condições de vida muito acima da maioria.
Além disso, quanto mais o regime falava em igualdade, mais evidente se tornava a distância entre quem mandava e quem obedecia.
No fim, a igualdade ficou no discurso. O privilégio continuou bem vivo — apenas passou para as mãos de quem controlava o poder.

E QUANDO O POVO DISCORDA?
Existe ainda uma questão impossível de ignorar… muitos dos regimes comunistas históricos não aceitaram facilmente oposição política, imprensa independente ou alternância no poder. Liberdade.
Quando um sistema se considera o representante inevitável dos interesses do povo, transforma facilmente quem discorda num inimigo: deixa de ver o adversário político como alguém com ideias diferentes e passa a considerá-lo inimigo do próprio povo.
Daí à censura, perseguição e repressão existe apenas um pequeno passo. E a História nos mostrou demasiadas vezes onde esse caminho pode terminar.
O MURO DE BERLIM TORNOU-SE UM SÍMBOLO
Na minha opinião, poucas imagens resumem tão bem o fracasso político do comunismo europeu como o Muro de Berlim. O regime da Alemanha de Leste não construiu o Muro de Berlim para impedir os cidadãos da Alemanha Ocidental de entrarem no mundo comunista. Construiu-o para dificultar a saída daqueles que viviam na Alemanha de Leste. Fundação do Muro de Berlim.
Esse facto deveria, por si só, justificar muita reflexão.
Quando um sistema precisa de impedir fisicamente os seus cidadãos de partir, alguma coisa correu profundamente mal.
A GRANDE LIÇÃO DO SÉCULO XX
Talvez o maior erro tenha sido acreditar que uma sociedade poderia construir igualdade eliminando simultaneamente liberdade económica, pluralismo político e mecanismos independentes de controlo do poder. O resultado mostrou uma realidade incómoda:
quando o Estado concentra demasiado poder, alguém acaba inevitavelmente por controlar esse Estado.
E quem controla tudo — economia, informação, polícia, empresas, tribunais e política — dificilmente aceita perder esse poder.
A História já realizou experiências comunistas suficientes para que as suas consequências possam ser avaliadas. As promessas foram enormes. Os resultados ficaram sempre muito longe delas.
Uma ideologia deve ser julgada não apenas pelas intenções que anuncia, mas também pelos resultados que produz quando chega ao poder.
E O PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS?
É certo que num regime democrático, todos têm direito à palavra. Mas é legítimo perguntar: até que ponto ainda faz sentido apresentar o comunismo como uma solução credível em Portugal, quando a experiência histórica mostrou repetidamente as profundas falhas dos regimes que o aplicaram?
Em Portugal, o PCP continua a defender uma visão ideológica que, em muitos aspetos, permanece presa a um mundo que já desapareceu. O desfasamento entre o discurso e a realidade tornou-se tão evidente que já ninguém o pode ignorar. Programa do PCP
Defender ideias é um direito… Recusar aprender com a História é outra coisa e muitas vezes os comunistas não querem ouvir algumas verdades que eles consideram inconvenientes.
Fontes: EBSCO, Library of Congress, Fundação do Muro de Berlim
Sentinela Lusa

