InícioGeopolítica11 de Setembro: 25 anos depois, impacto e memória

11 de Setembro: 25 anos depois, impacto e memória

Há datas que exigem silêncio, memória e coragem. O 11 de Setembro 25 anos depois continua a ser uma dessas datas marcantes. O 11 de Setembro de 2001 é uma delas. Nesse dia, 19 terroristas treinados pela Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais e transformaram-nos em armas. Atacaram as Torres Gémeas e o Pentágono; um quarto avião caiu na Pensilvânia depois de os passageiros reagirem. Segundo o FBI, os atentados mataram 2.976 pessoas e feriram milhares.

Não foi um acidente, uma “tragédia” sem autor ou uma explosão de violência inexplicável. Foi terrorismo islamista, planeado pela Al-Qaeda e executado por homens radicalizados em nome de uma interpretação extremista do Islão. O próprio FBI confirma que os 19 sequestradores receberam treino da organização terrorista. Apagar esta dimensão ideológica não promove a paz. Apenas destrói a verdade histórica.

Quando a memória começa a incomodar

Passaram 25 anos. As imagens continuam gravadas na memória coletiva: pessoas a fugir de uma nuvem de cinzas, bombeiros a subir escadas das quais muitos nunca regressariam e famílias à espera de uma chamada que jamais chegou. Mais de 400 socorristas morreram naquele dia. Muitos outros enfrentaram, durante anos, doenças relacionadas com os trabalhos em condições tóxicas no Ground Zero.

Contudo, o Ocidente parece cada vez mais desconfortável quando chega o momento de identificar a ideologia dos carrascos. Recorda as vítimas, mas suaviza o nome da ameaça. Organiza cerimónias, deposita flores e repete palavras sobre união. Depois, regressa ao silêncio, aos eufemismos e ao medo de ofender.

Uma sociedade que deixa de nomear o inimigo perde capacidade para o combater. O islamismo político e o jihadismo não representam todos os muçulmanos, mas existem. Negar esta diferença é tão irresponsável como culpar coletivamente milhões de pessoas inocentes. A primeira atitude alimenta a ingenuidade; a segunda alimenta o ódio. Nenhuma protege a democracia.

Nova Iorque e uma ironia que exige perguntas

Vinte e cinco anos depois, Nova Iorque tem, pela primeira vez, um presidente da Câmara muçulmano. Zohran Mamdani tomou posse em janeiro de 2026. Ao mesmo tempo, a população muçulmana ganhou peso demográfico e político na cidade. As estimativas variam, porque o recenseamento norte-americano não pergunta a religião, mas algumas apontam para centenas de milhares de muçulmanos e outras aproximam-se de um milhão, como explica esta análise do The Washington Post.

Este contraste é simbolicamente poderoso, mas exige honestidade. A eleição de um muçulmano, por si só, não prova que os Estados Unidos esqueceram o 11 de Setembro. Uma democracia não pode avaliar um cidadão apenas pela religião que professa. Mamdani deve ser julgado pelas suas decisões, alianças, declarações e capacidade de defender todos os nova-iorquinos — não pelo simples facto de ser muçulmano.

No entanto, também seria intelectualmente desonesto usar a diversidade como desculpa para impedir qualquer pergunta. O novo presidente da Câmara tem uma responsabilidade acrescida: condenar sem ambiguidades o jihadismo, combater o antissemitismo, rejeitar qualquer complacência com movimentos extremistas e colocar a segurança de Nova Iorque acima da política identitária. Quem governa a cidade atacada pela Al-Qaeda deve demonstrar, através de atos claros, que nenhuma ideologia radical encontrará tolerância nas instituições.

Os Estados Unidos aprenderam realmente?

Depois de 2001, os Estados Unidos reforçaram aeroportos, serviços de informação e mecanismos antiterroristas. Porém, segurança não significa apenas controlar malas ou instalar detetores. Significa também proteger fronteiras, acompanhar redes de radicalização, exigir integração, defender a liberdade de expressão e recusar a criação de comunidades fechadas onde a lei religiosa tente sobrepor-se à lei democrática.

Ao mesmo tempo, Washington cometeu erros graves. As guerras intermináveis, os abusos de poder e decisões desastrosas não derrotaram a ideologia islamista. Em alguns casos, ofereceram-lhe novos argumentos de propaganda. A resposta não pode ser nem a guerra sem fim nem a rendição cultural. Deve ser firme, legal e orientada pelos valores constitucionais.

É precisamente aqui que surge a pergunta incómoda: os Estados Unidos aprenderam ou limitaram-se a adaptar os procedimentos de segurança? Se aprenderam, não devem perseguir cidadãos pela sua fé. Mas também não podem confundir tolerância com cegueira, integração com ausência de exigência ou crítica ao islamismo com ódio aos muçulmanos.

O 11 de Setembro não autoriza a discriminação. Autoriza — e exige — vigilância democrática contra o extremismo. As vítimas não merecem uma memória higienizada, onde se lamenta a destruição mas se esconde a ideologia que a provocou.

Vinte e cinco anos depois, a maior homenagem não consiste apenas em repetir “nunca esquecer”. Consiste em ter coragem para recordar tudo: quem morreu, quem matou, por que matou e quais os valores que continuam sob ataque.

Porque um país que esquece o nome da ameaça acaba, mais cedo ou mais tarde, por voltar a abrir-lhe a porta.

IRONIA DO DESTINO?

25 anos depois, Nova Iorque tem um presidente da Câmara muçulmano — a mesma cidade que foi castigada por terroristas islamistas radicalizados.

A história mudou… ou foi esquecida?

Fontes: FBI, Câmara de Nova Iorque, The Washington Post

Sentinela Lusa

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