A política deveria ser uma das formas mais nobres de serviço público. Portugal precisa de políticos com sentido de missão para garantir que quem aceita representar os portugueses ou governar Portugal deveria entrar na vida política com uma ideia muito simples: durante o tempo em que ocupa aquele cargo, o interesse nacional deve estar acima do interesse pessoal e partidário.
Contudo, demasiadas vezes, a impressão que chega aos cidadãos é precisamente a contrária.
Assistimos a discussões intermináveis, acusações, estratégias partidárias, cálculos eleitorais e guerras entre partidos. Enquanto isso, muitos dos grandes problemas estruturais de Portugal continuam por resolver.
A saúde espera. A justiça espera. A habitação espera. A economia espera. O interior espera.
Portugal espera.
Ser político deveria ser uma missão
Um deputado não deveria olhar para quatro anos de mandato apenas como mais uma etapa numa carreira política.
Deveria perguntar-se: o que posso fazer para deixar Portugal melhor do que o encontrei?
Aliás, a própria Constituição estabelece um princípio que merece ser recordado com mais frequência: os deputados representam todo o país e não apenas os círculos pelos quais foram eleitos.
É uma ideia poderosa.
Antes de serem deputados de Lisboa, Porto, Braga, Faro ou qualquer outro círculo eleitoral, são representantes de Portugal.
Da mesma forma, o Governo não existe para servir um partido. A Constituição define-o como o órgão responsável pela condução da política geral do país. Portanto, governar deveria significar servir.
E servir exige responsabilidade, competência e, sobretudo, sentido de missão.

Discordar não significa destruir tudo o que vem do adversário
Naturalmente, não defendo uma Assembleia da República onde todos pensam da mesma maneira.
Isso seria contrário à própria democracia.
Precisamos de oposição… de fiscalização… de debate. Precisamos de diferentes ideias para Portugal.
No entanto, existe uma diferença enorme entre fazer oposição e viver permanentemente numa lógica de confronto partidário.
Uma boa proposta não deveria transformar-se numa má proposta apenas porque foi apresentada pelo partido adversário.
Se uma medida melhora o Serviço Nacional de Saúde, ajuda as empresas, acelera a Justiça, combate a corrupção ou cria melhores condições para as famílias portuguesas, então deveria ser analisada pelo seu mérito.
Não pela cor partidária de quem a apresentou.
Portugal já enfrenta problemas suficientemente graves. A nossa Justiça continua a enfrentar o problema da morosidade, enquanto o desenvolvimento desigual do território continua a alimentar um país onde o litoral cresce e grande parte do interior perde população.
São problemas que ultrapassam legislaturas. Por isso, também deveriam ultrapassar algumas guerras partidárias.
Portugal precisa de consensos nacionais
Existem matérias em que um país sério deveria conseguir estabelecer compromissos de médio e longo prazo.
Saúde. Justiça. Educação. Defesa. Segurança. Demografia. Habitação. Desenvolvimento económico. Reforma do Estado.
Naturalmente, esquerda, direita e centro terão soluções diferentes. Ainda assim, deveria existir um objetivo comum: fazer Portugal avançar.
Porque não podemos mudar completamente de direção de quatro em quatro anos.
Um país constrói-se durante décadas.
Portugal modernizou-se enormemente nas últimas décadas, mas continua a enfrentar dificuldades económicas importantes e mantém uma distância considerável face às economias europeias mais ricas, como já analisámos quando perguntámos porque continua Portugal entre as economias mais frágeis da Europa Ocidental.
Resolver estes problemas exige muito mais do que slogans eleitorais.
Exige coragem para reformar… capacidade para negociar… políticos capazes de reconhecer uma boa ideia mesmo quando ela nasce no outro lado do Parlamento.
O partido não pode valer mais do que Portugal
Talvez seja esta uma das mudanças de mentalidade de que mais precisamos.
Um político pode defender legitimamente o seu partido. Pode lutar pelas suas convicções. Pode querer vencer eleições.
Mas existe algo que deveria estar acima de tudo isso:
Portugal.
Os partidos são instrumentos da democracia. Não são o país.
Os governos passam.
Os primeiros-ministros passam.
Os deputados passam.
Os líderes partidários passam.
Portugal fica… quantas vezes esquecido!
Por isso, quando alguém entra na Assembleia da República ou assume responsabilidades governativas, deveria sentir o peso da responsabilidade que recebeu.
Não está ali apenas para representar uma sigla.
Está ali para contribuir para o futuro de milhões de portugueses e para entregar às próximas gerações um país mais forte, mais justo, mais seguro, mais desenvolvido e mais respeitado.
É precisamente esse espírito que defendemos na missão da Sentinela Lusa: olhar para Portugal com independência, espírito crítico e preocupação pelo futuro do país.
Podemos discordar sobre os caminhos.
Devemos discutir ideias.
Devemos exigir responsabilidades.
Mas há algo sobre o qual todos os que representam os portugueses deveriam conseguir concordar:
Portugal tem de estar primeiro.
A política precisa de menos guerras de trincheira, menos estratégias de aparelho e menos cálculos pessoais.
Precisa de mais coragem, mais competência, mais responsabilidade e mais capacidade de trabalhar em conjunto.
Acima de tudo, Portugal precisa de políticos com sentido de missão.
Porque servir Portugal deveria ser uma honra temporária, nunca apenas uma carreira.
Sentinela Lusa

