InícioHistóriaInvasões Francesas: quando Portugal enfrentou o poderoso exército de Napoleão

Invasões Francesas: quando Portugal enfrentou o poderoso exército de Napoleão

Entre 1807 e 1811, Portugal sofreu três invasões francesas que destruíram povoações, provocaram milhares de mortes e alteraram profundamente o futuro do país. As Invasões Francesas em Portugal assinalaram uma viragem na história nacional. Napoleão Bonaparte pretendia dominar a Europa e isolar economicamente o Reino Unido. Contudo, Portugal mantinha uma antiga aliança com os britânicos e recusava abandonar por completo essa relação.

Porque invadiu Napoleão Portugal?

Em 1806, Napoleão criou o Bloqueio Continental, que proibia os países europeus de comercializar com o Reino Unido. Portugal tentou equilibrar as relações com franceses e britânicos, mas essa posição tornou-se insustentável.

Assim, França e Espanha assinaram, em 1807, o Tratado de Fontainebleau. O acordo autorizava a passagem das tropas francesas pelo território espanhol e previa a divisão de Portugal. Pouco depois, Napoleão ordenou ao general Jean-Andoche Junot que avançasse sobre Lisboa.

A primeira invasão francesa

Junot entrou em Portugal em novembro de 1807. Neste contexto das Invasões Francesas em Portugal, perante a aproximação do exército francês, o príncipe regente D. João tomou uma decisão inédita: transferiu a família real, a corte e parte da administração portuguesa para o Brasil, sob proteção naval britânica.

Esta partida impediu Napoleão de capturar a Coroa portuguesa. No entanto, também deixou o território continental sem a presença do seu centro político. A Assembleia da República explica que a corte se instalou no Brasil para escapar à primeira invasão, liderada por Junot.

Entretanto, os franceses ocuparam Lisboa, dissolveram o Conselho de Regência, controlaram a administração e impuseram pesadas contribuições à população. Além disso, retiraram símbolos nacionais e trataram Portugal como um território conquistado.

A revolta popular não demorou. Em 1808, levantamentos contra a ocupação espalharam-se pelo país. Ao mesmo tempo, tropas britânicas comandadas por Arthur Wellesley desembarcaram em Portugal. As forças luso-britânicas derrotaram os franceses na Roliça e no Vimeiro. Segundo o National Army Museum, portugueses, espanhóis e britânicos conseguiram travar forças francesas numericamente superiores durante a Guerra Peninsular.

Consequentemente, Junot assinou a Convenção de Sintra e abandonou Portugal. Porém, Napoleão não desistiu das Invasões Francesas em Portugal.

A segunda invasão: Soult ocupa o Porto

Em março de 1809, o marechal Nicolas Jean-de-Dieu Soult entrou pelo Norte, conquistou Chaves e avançou sobre Braga e o Porto. A invasão provocou novamente violência, pilhagens e grande sofrimento entre as populações.

Durante a entrada dos franceses no Porto, milhares de civis tentaram atravessar o rio Douro através da Ponte das Barcas. A estrutura cedeu devido à multidão, causando uma tragédia que permanece na memória da cidade.

Contudo, Soult não conseguiu avançar até Lisboa. As tropas portuguesas reorganizaram-se e Wellesley regressou ao país. Em maio, o exército luso-britânico atravessou o Douro numa operação surpreendente e obrigou os franceses a abandonar o Porto. Soult retirou-se pelas montanhas, deixando para trás artilharia e equipamento.

Massena e a terceira invasão

Em 1810, Napoleão lançou a terceira e mais poderosa invasão, comandada pelo marechal André Massena. O exército francês entrou pela região de Almeida e avançou em direção a Coimbra e Lisboa. Estes acontecimentos fazem parte das Invasões Francesas em Portugal, marcando profundamente o país.

As forças luso-britânicas enfrentaram Massena na Batalha do Buçaco, em setembro de 1810. Apesar da vitória defensiva, Wellington recuou de forma planeada para as Linhas de Torres Vedras: um vasto sistema de fortificações construído secretamente para proteger Lisboa.

Estas linhas defensivas, erguidas entre 1809 e 1810 por trabalhadores portugueses sob orientação militar britânica, impediram o avanço francês. Sem mantimentos e incapaz de romper as defesas, Massena acabou por ordenar a retirada. Em 1811, as tropas francesas deixaram definitivamente o território português.

Um país devastado, mas resistente

As invasões terminaram, porém Portugal ficou arruinado. Os exércitos destruíram campos, casas, igrejas e atividades económicas. A população enfrentou fome, doenças, violência e deslocações forçadas. Além disso, a permanência da corte no Brasil e a forte influência britânica alimentaram um profundo sentimento de abandono.

Este descontentamento contribuiu para a Revolução Liberal de 1820. De acordo com a Assembleia da República, as invasões deixaram Portugal numa grave crise política e económica. A revolução exigiu o regresso de D. João VI e conduziu às Cortes Constituintes e à Constituição de 1822. Em suma, as Invasões Francesas em Portugal tiveram um impacto profundo e duradouro no país.

Portanto, as Invasões Francesas foram muito mais do que três campanhas militares. Mudaram o equilíbrio entre Portugal e o Brasil, enfraqueceram o Antigo Regime e abriram caminho ao liberalismo. Acima de tudo, mostraram a resistência de um povo que, apesar da destruição e do abandono, recusou entregar o país ao maior poder militar da Europa.

Fontes: Assembleia da Reública, National Army Museum

Sentinela Lusa

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