A História de Portugal está repleta de episódios surpreendentes, mas poucos são tão dramáticos como o que aconteceu em Lisboa no dia 1 de fevereiro de 1908. Entre as curiosidades mais insólitas desse dia destaca-se a possibilidade de D. Luís Filipe ter sido rei de Portugal durante apenas cerca de 20 minutos. Assembleia da República — Regicídio de 1908
Nesse sábado, a família real portuguesa regressava a Lisboa depois de uma temporada em Vila Viçosa. Ao atravessar o Terreiro do Paço numa carruagem aberta, o rei D. Carlos I e a sua família foram alvo de um ataque que mudaria para sempre o destino da monarquia portuguesa. D. Carlos morreu praticamente de imediato.
O seu filho mais velho, o príncipe real D. Luís Filipe, ainda tentou reagir. Também foi atingido a tiro e acabaria por morrer poucos minutos depois. Mas é precisamente nesses minutos que nasce uma das maiores curiosidades da nossa História.
D. Luís Filipe chegou a ser rei?
Quando um rei morre, o herdeiro sucede-lhe imediatamente. Não é necessário esperar por uma cerimónia de coroação para que a sucessão dinástica produza efeitos.
Por essa razão, existe uma interpretação segundo a qual, após a morte de D. Carlos, D. Luís Filipe se tornou automaticamente rei de Portugal. O problema é que o jovem príncipe também morreu pouco depois.
Dependendo da reconstrução cronológica dos acontecimentos, terão passado apenas cerca de 20 minutos entre as duas mortes.
Se aceitarmos esta interpretação, Portugal terá tido um rei cujo reinado durou apenas alguns minutos.
Mas não aparece na lista oficial dos reis
É aqui que a história se torna ainda mais interessante. Com efeito, os historiadores não incluem normalmente D. Luís Filipe nas listas oficiais dos monarcas portugueses. Além disso, D. Luís Filipe nunca recebeu a aclamação como rei, nunca exerceu efetivamente o poder e nunca adotou um nome régio.
Por essa razão, a historiografia portuguesa considera geralmente que D. Manuel II, irmão mais novo de Luís Filipe, sucedeu diretamente a D. Carlos. No entanto, do ponto de vista estritamente dinástico e constitucional, a questão continua a alimentar uma curiosidade histórica fascinante.
Um príncipe preparado para governar
D. Luís Filipe tinha apenas 20 anos quando foi assassinado. Apesar da juventude, estava a ser preparado para assumir a Coroa. Já tinha desempenhado funções de representação internacional e realizado viagens oficiais, incluindo visitas às colónias portuguesas em África.
Muitos viam em D. Luís Filipe o futuro da monarquia, mas a sua morte precoce impediu-o de mostrar que tipo de rei poderia ter sido.

O regicídio que mudou Portugal
O assassinato de D. Carlos e D. Luís Filipe não foi apenas uma tragédia familiar.
Foi também um golpe profundo numa monarquia que já enfrentava enorme instabilidade política, contestação republicana, conflitos entre partidos e crescente descontentamento social.
D. Manuel II tornou-se rei com apenas 18 anos. O seu reinado duraria pouco mais de dois anos.
Em 5 de outubro de 1910, os republicanos proclamaram a República e puseram fim à monarquia em Portugal.
Um reinado de apenas alguns minutos?
Mais de um século depois, permanece a pergunta:
Portugal teve realmente um rei durante cerca de 20 minutos?
Formalmente, os historiadores não incluem D. Luís Filipe na lista dos reis de Portugal.
Ainda assim, a sequência dramática dos acontecimentos de 1 de fevereiro de 1908 levanta uma hipótese histórica extraordinária: durante os breves minutos entre a morte do pai e a sua própria morte, D. Luís Filipe poderá ter assumido juridicamente a chefia da Casa Real portuguesa.
Deste modo, este episódio quase esquecido demonstra como, por vezes, alguns minutos podem mudar séculos de História.
E se D. Luís Filipe tivesse sobrevivido ao atentado?
Talvez D. Luís Filipe tivesse mudado profundamente o rumo da monarquia portuguesa — e até a própria história de Portugal.
Fontes: Infopédia / Porto Editora, RTP
Sentinela Lusa

