InícioHistóriaPortugal: quem vivia neste território antes de 1143?

Portugal: quem vivia neste território antes de 1143?

Quando pensamos na História de Portugal, 1143 surge muitas vezes como o ponto de partida. Foi nesse ano que o Tratado de Zamora marcou o reconhecimento político de D. Afonso Henriques como rei. No entanto, o território que hoje chamamos Portugal tinha já milhares de anos de ocupação humana, guerras, migrações, comércio e mistura cultural.

Muito antes de existir um reino português, povos diferentes viveram entre o Minho e o Algarve. Celtas, lusitanos, romanos, suevos, visigodos e muçulmanos deixaram marcas que ainda hoje encontramos na língua, nas cidades, na arquitetura e até na organização do território.

Antes dos romanos: povos diferentes num mesmo território

A Península Ibérica nunca foi um espaço culturalmente uniforme. Antes da chegada de Roma, diferentes comunidades ocupavam o território correspondente ao atual Portugal.

Entre elas destacavam-se os lusitanos, tradicionalmente associados a grande parte do centro e interior do território. A resistência lusitana contra Roma tornou-se particularmente conhecida através da figura de Viriato.

Contudo, os lusitanos não eram os únicos habitantes. No Norte existiam populações de matriz galaica e céltica, enquanto no Sul havia comunidades fortemente ligadas às redes comerciais mediterrânicas.

Vestígios arqueológicos mostram que algumas regiões eram habitadas muito antes deste período. Em Silves, por exemplo, existem sinais de presença humana desde a Idade do Ferro. VISITE PORTUGAL

Portugal, portanto, começou muito antes de ter esse nome.

Roma transformou profundamente o território

A chegada dos romanos à Península Ibérica, a partir do século III a.C., provocou uma das maiores transformações da História desta região.

Roma não se limitou a conquistar. Construiu estradas, pontes, cidades, aquedutos e sistemas administrativos. Além disso, difundiu o latim, língua que esteve na origem do português.

Cidades atuais guardam ainda hoje essa herança.

Braga nasceu como Bracara Augusta, cuja construção começou no reinado do imperador Augusto. A cidade ganhou enorme importância e chegou a tornar-se capital da província romana da Galécia.

Évora também conserva importantes marcas romanas. Conquistada no século I a.C., tornou-se uma cidade relevante, da qual permanecem templos, muralhas e estruturas termais.

Do mesmo modo, Coimbra desenvolveu-se sobre uma importante estrutura urbana romana associada a Aeminium.

A romanização foi tão profunda que muitos elementos introduzidos nessa época sobreviveram durante séculos.

Suevos e visigodos chegaram depois de Roma

A partir do século V, o Império Romano do Ocidente começou a desaparecer. Outros povos assumiram então o controlo de diferentes partes da Península.

No Noroeste nasceu o Reino Suevo, que estabeleceu um dos primeiros reinos pós-romanos da Europa Ocidental. Braga tornou-se um importante centro político e religioso desse reino.

Posteriormente, os visigodos dominaram grande parte da Península Ibérica.

A presença visigótica prolongou-se até ao início do século VIII. Cidades como Beja estiveram sob domínio visigodo antes da chegada das forças muçulmanas.

Assim, vários séculos antes de Portugal existir, o território já passara por profundas mudanças políticas.

A chegada dos muçulmanos mudou novamente a Península

Em 711, forças muçulmanas atravessaram o estreito de Gibraltar e iniciaram rapidamente a conquista de grande parte da Península Ibérica.

Uma parte considerável do atual território português passou então a integrar o Al-Andalus.

A influência foi particularmente profunda no Sul.

Silves, conhecida no período islâmico como Xelb, tornou-se um importante centro político, comercial e cultural do Garb al-Andalus. A presença muçulmana marcou profundamente o próprio traçado urbano da cidade.

Évora, então conhecida como Yeborah, também permaneceu durante séculos sob domínio muçulmano.

Esta presença deixou marcas na agricultura, arquitetura, ciência, técnicas de irrigação e vocabulário.

Ainda hoje centenas de palavras portuguesas têm origem árabe.

Cristãos e muçulmanos disputaram o território durante séculos

Entretanto, os reinos cristãos do Norte começaram lentamente a expandir-se para sul.

Este processo, tradicionalmente chamado Reconquista, não aconteceu de forma contínua. Algumas cidades mudaram várias vezes de mãos.

Viseu, por exemplo, esteve alternadamente sob domínio cristão e muçulmano até Fernando I de Leão a conquistar em 1058.

Coimbra foi conquistada definitivamente pelos cristãos em 1064. A cidade tornou-se posteriormente um centro decisivo para a formação do futuro reino português.

É neste contexto que surge o Condado Portucalense.

Finalmente, começa a nascer Portugal

No início do século XII, D. Henrique e D. Teresa governavam o Condado Portucalense. O seu filho, Afonso Henriques, acabaria por disputar o poder e afirmar uma autonomia crescente.

A Batalha de São Mamede, em 1128, tornou-se um momento determinante desse processo. O próprio Governo português descreve-a como o início do caminho de autonomia que levaria posteriormente ao Tratado de Zamora.

Em 1143, Portugal começava então a afirmar-se como reino independente. O Estado português considera precisamente 1143 como o ano da fundação do país.

Mas Portugal não nasceu num território vazio.

Nasceu sobre milhares de anos de História.

Dos povos pré-romanos aos romanos, dos suevos e visigodos aos muçulmanos e às populações cristãs medievais, todos deixaram alguma coisa.

Por isso, conhecer Portugal antes de Portugal ajuda-nos a compreender uma realidade essencial: a identidade portuguesa formou-se através de muitas camadas históricas, muito antes de existir uma fronteira ou um rei chamado português.

Fontes: VisitPortugal

Sentinela Lusa

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