InícioMundoA Europa está a envelhecer — mas África continua jovem

A Europa está a envelhecer — mas África continua jovem

Enquanto a Europa envelhece, perde população ativa e discute como financiar as pensões, África vive uma realidade quase oposta: milhões de jovens chegam todos os anos à idade de trabalhar. Esta diferença demográfica poderá transformar profundamente a economia, as migrações e o equilíbrio mundial nas próximas décadas.

Há duas tendências demográficas a avançar simultaneamente no planeta.

De um lado estão países onde nascem cada vez menos crianças, a esperança de vida aumenta e a proporção de idosos cresce rapidamente. Do outro está grande parte de África, onde a população continua jovem e deverá aumentar significativamente durante várias décadas.

A diferença é impressionante, vejam:

Na União Europeia, 21,6% da população já tinha 65 anos ou mais em 2024, enquanto apenas 14,6% tinha menos de 15 anos. A idade mediana da população europeia atingiu 44,7 anos.

Portugal está ainda mais envelhecido: em 2024, a idade mediana chegou aos 47,1 anos, uma das mais elevadas da União Europeia.

África vive uma realidade completamente diferente

África continua a ser o continente mais jovem do mundo. Mais de 60% dos africanos têm menos de 25 anos, segundo dados apresentados pelas Nações Unidas em 2026. E esta população continuará a crescer…

Só na África subsaariana, as Nações Unidas projetam um aumento populacional de cerca de 79% até 2054, atingindo aproximadamente 2,2 mil milhões de habitantes.

O Banco Mundial estima ainda que, entre 2025 e 2050, a população em idade ativa da região aumentará em mais de 620 milhões de pessoas.

Esta poderá ser uma extraordinária vantagem económica… mas apenas se existirem empregos e o mercado de trabalho acompanhar.

Dois continentes, dois relógios demográficos

Europa e África caminham em direções quase opostas — e ambas correm o risco de interpretar mal o problema.

A Europa não pode continuar a tratar a imigração como solução automática para o envelhecimento. E África não pode acreditar que ter milhões de jovens basta para garantir prosperidade.

A Europa precisa de produzir mais, reformar os sistemas de pensões, criar condições para aumentar a natalidade e integrar eficazmente quem recebe.

África enfrenta um desafio ainda maior: transformar uma população jovem gigantesca em trabalhadores qualificados, empresários, médicos, engenheiros, técnicos e consumidores com verdadeiro poder de compra.

Porque juventude sem educação, emprego e perspetivas não é um dividendo demográfico. É uma bomba social à espera de oportunidade para explodir.

Se África conseguir criar milhões de empregos e aproveitar o seu potencial humano, poderá tornar-se uma das grandes forças económicas deste século.

Se falhar, pobreza, instabilidade e pressão migratória poderão aumentar brutalmente.

Entretanto, a Europa continua a envelhecer, com menos trabalhadores a financiar cada vez mais reformados.

A Europa tem dinheiro, infraestruturas e riqueza acumulada — mas começa a faltar-lhe gente.

África tem gente, juventude e potencial — mas ainda lhe faltam oportunidades e isto provoca uma pressão migratória para a Europa e o resto do mundo…

A verdadeira corrida das próximas décadas não será apenas por petróleo, tecnologia ou território.

Será pela capacidade de transformar população em prosperidade com adequada gestão migratória.

Sentinela Lusa

OUTROS ARTIGOS

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, introduza o seu comentário!
Por favor, introduza o seu nome aqui

Mais Popular

COMENTÁRIOS Recentes