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Salário mínimo em Portugal: comparação com a Europa

O salário mínimo português aumentou significativamente nos últimos anos. No entanto, quando comparamos Portugal com outros países da União Europeia, percebemos que a distância salarial continua elevada. Espanha já paga mais, França apresenta um salário mínimo muito superior e países como Alemanha, Irlanda ou Luxemburgo encontram-se ainda mais distantes.

Mas olhar apenas para o valor que aparece no recibo de vencimento não conta toda a história. O número de pagamentos anuais e, sobretudo, o custo de vida alteram bastante a comparação.

Salário mínimo em Portugal chega aos 920 euros em 2026

Em Portugal continental, a retribuição mínima mensal garantida subiu para 920 euros brutos em 2026, contra 870 euros em 2025.

Como os trabalhadores portugueses recebem normalmente 14 pagamentos anuais, incluindo subsídios de férias e de Natal, o salário mínimo corresponde a 12.880 euros brutos por ano.

Para permitir uma comparação europeia mais justa, o Eurostat distribui esses 14 pagamentos por 12 meses. Desta forma, o salário mínimo português corresponde a aproximadamente 1.073 euros mensais segundo a metodologia europeia.

Esta diferença é importante. Comparar diretamente os 920 euros portugueses com salários pagos apenas 12 vezes por ano daria uma imagem incompleta da realidade. Eurostat — Minimum wage statistics

Espanha já ultrapassa Portugal

Espanha também utiliza um sistema de 14 pagamentos. Em 2026, o salário mínimo interprofissional espanhol foi fixado em 1.221 euros brutos por mês, pagos 14 vezes.

Isso representa 17.094 euros brutos anuais. Dividindo esse valor por 12 meses, obtemos cerca de 1.425 euros mensais.

Consequentemente, mesmo utilizando exatamente a mesma metodologia, a diferença entre Portugal e Espanha é considerável.

Um trabalhador espanhol no salário mínimo recebe, em termos anuais, mais de 4.200 euros brutos adicionais do que um trabalhador português.

A proximidade geográfica entre os dois países torna esta diferença particularmente relevante. Portugal e Espanha partilham a Península Ibérica, pertencem à União Europeia e utilizam a mesma moeda. Contudo, os níveis salariais mínimos apresentam hoje uma diferença significativa.

França aproxima-se dos 1.900 euros

Em França, a diferença aumenta ainda mais.

Desde junho de 2026, o salário mínimo francês — conhecido como SMIC — é de 12,31 euros brutos por hora. Para uma jornada legal de 35 horas semanais, isso corresponde a aproximadamente 1.867 euros brutos mensais.

Assim, o salário mínimo francês representa cerca do dobro dos 920 euros pagos mensalmente em Portugal continental.

Contudo, esta comparação exige prudência. O custo da habitação, dos serviços e de vários produtos é geralmente superior em França. Portanto, receber o dobro não significa automaticamente ter o dobro do poder de compra.

Ainda assim, a diferença salarial permanece muito significativa.

As diferenças na União Europeia continuam enormes

Os dados do Eurostat mostram uma Europa dividida em vários níveis salariais.

Em julho de 2026, o Luxemburgo apresentava o salário mínimo mais elevado da União Europeia, com 2.771 euros mensais. Logo depois surgiam Irlanda, com 2.391 euros, Alemanha, com 2.343 euros, Países Baixos, com 2.338 euros, e Bélgica, com 2.234 euros.

No outro extremo encontrava-se a Bulgária, com 620 euros mensais.

Portugal fica, portanto, longe dos países com os salários mínimos mais elevados, embora também esteja acima de vários Estados-membros do Leste europeu.

Além disso, há países como Itália, Dinamarca, Áustria, Finlândia e Suécia que não possuem um salário mínimo nacional definido da mesma forma. Nesses casos, os salários mínimos podem resultar de convenções ou acordos coletivos.

E quando consideramos o custo de vida?

Esta é provavelmente a questão mais importante.

Um euro não compra a mesma quantidade de bens e serviços em Lisboa, Paris, Berlim ou Sófia. Por esse motivo, o Eurostat também compara os salários mínimos através das Paridades de Poder de Compra (PPS).

Quando ajustamos os salários às diferenças de preços entre países, as desigualdades diminuem.

Em julho de 2026, o salário mínimo nominal mais elevado da União Europeia era cerca de 4,5 vezes superior ao mais baixo. Porém, depois de considerar as diferenças de preços, essa distância diminuía para aproximadamente 2,3 vezes.

Portugal melhora a sua posição quando utilizamos este indicador. Ainda assim, continua atrás de países como Alemanha, Luxemburgo, França, Espanha ou Polónia em poder de compra associado ao salário mínimo.

O verdadeiro problema português pode estar além do salário mínimo

Portugal aumentou o salário mínimo de forma expressiva durante a última década. Contudo, existe outra questão fundamental: o crescimento dos restantes salários.

Quando o salário mínimo aumenta mais rapidamente do que muitos salários intermédios, uma parte crescente dos trabalhadores aproxima-se do patamar mínimo.

Aliás, os dados mais recentes disponíveis do Eurostat sobre esta relação mostram algo revelador: em 2024, o salário mínimo português correspondia a 69% do salário mediano bruto, a percentagem mais elevada entre os países da União Europeia analisados.

Portanto, o debate não deve limitar-se a perguntar se Portugal precisa de aumentar o salário mínimo.

A questão talvez seja mais profunda: como pode Portugal aumentar os salários em geral, melhorar a produtividade e aproximar os rendimentos portugueses dos restantes países da Europa?

A comparação com Espanha outras economias europeias mostra que Portugal avançou. Porém, mostra igualmente que a convergência salarial ainda tem um longo caminho pela frente.

Nesta questão, com em muitas outras, Portugal avança mas a europa avança mais depressa…

Fonte: EUROSTAT

Sentinela Lusa

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