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Europa envelhece — quem vai pagar as pensões?

Sabiam que 1 em cada 5 europeus já tem 65 anos ou mais? A Europa está preparada para envelhecer?

A Europa está a envelhecer claramente… os números mostram que esta transformação já não pertence ao futuro… é de hoje. Em 1 de janeiro de 2025, cerca de 99 milhões de pessoas na União Europeia tinham 65 anos ou mais, representando 22% de toda a população. Em 2005, eram 17%.

Ou seja: em apenas duas décadas, o peso da população idosa aumentou significativamente e esta transformação levanta uma questão inevitável: quem sustentará as pensões, os sistemas de saúde e os cuidados de uma população cada vez mais envelhecida?

Temos cada vez menos trabalhadores por pensionista

Um dos indicadores mais importantes é o chamado índice de dependência dos idosos: compara o número de pessoas idosas com a população em idade ativa. Em 2025, na União Europeia, existiam pouco mais de três pessoas entre os 15 e os 64 anos por cada pessoa com 65 anos ou mais. Há vinte anos eram quase quatro.

É precisamente aqui que começa o problema…

Grande parte dos sistemas europeus de pensões depende, direta ou indiretamente, das contribuições das pessoas que trabalham atualmente. Se o número de pensionistas aumenta enquanto a população ativa diminui proporcionalmente, a pressão financeira cresce.

E o envelhecimento ainda está longe do fim

As projeções demográficas do Eurostat apontam para uma Europa ainda mais envelhecida nas próximas décadas. Em muitas regiões europeias, a proporção de pessoas com 65 anos ou mais deverá aumentar substancialmente até 2050.

O grupo que mais deverá crescer é precisamente aquele que necessita normalmente de mais cuidados de saúde e assistência: os maiores de 80 anos.

Segundo as projeções atuais, estes representavam cerca de 6% da população da UE em 2025, podendo atingir aproximadamente 16% em 2100.

As escolhas serão difíceis

Perante esta realidade, os governos europeus terão inevitavelmente de discutir medidas politicamente sensíveis:

. aumentar a idade efetiva da reforma;

. incentivar carreiras profissionais mais longas;

. aumentar a produtividade e os salários;

. reforçar políticas de natalidade e apoio às famílias;

. atrair população ativa através da imigração bem regulada e controlada;

ou aumentar impostos e contribuições para financiar pensões, saúde e cuidados continuados.

Provavelmente, nenhum país conseguirá resolver o problema recorrendo apenas a uma destas soluções.

A própria Comissão Europeia analisa regularmente o impacto do envelhecimento nas pensões, saúde, cuidados de longa duração e finanças públicas.

A Europa conquistou algo extraordinário

Viver mais tempo é uma conquista… O problema não são os idosos…

O problema é construir sistemas sociais capazes de acompanhar uma sociedade em que as pessoas vivem mais, têm menos filhos e passam mais anos na reforma.

Durante décadas, o modelo europeu assentou numa ampla população ativa financiando uma população reformada proporcionalmente menor. O problema… essa pirâmide está progressivamente a inverter-se.

E talvez uma das maiores questões políticas das próximas décadas seja exatamente esta:

Como preservar pensões dignas sem colocar um peso insustentável sobre as gerações mais jovens?

A Europa estará verdadeiramente preparada para envelhecer?

Sentinela Lusa

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